quarta-feira, 21 de março de 2012

Talvez dessa maneira ela não se machucava

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Ela ainda tentava. Ainda tentava viver, sorrir e amar. Ainda tentava ser ela. Mas, quem era ela?! Se nem ela sabia… O quê sabia era que a vida passava ligeiramente, os dias voavam mesmo sem asas, a velhice vinha chegando, e aquele amor ainda lhe doía. Mas por quê? Se ela nunca chegou a degustar-se do amor. Nunca chegou a tocar o seu amor… Só amou, sozinha. Em silêncio. Tudo o que tinha era um café como companhia, um peito ensopado de lágrimas ensanguentadas, um coração rasgado, uma vida machucada. Passava o dia sentada naquele bar café, e só observava. Observava-os…, os casais, as famílias, os solitários, os loucos e os perdidos, os amantes da dor. Observava a vida passar, os dias voarem. Lia o jornal, relia. Lia o diário que fez na juventude, quando ainda havia um coração para sentir. Lia, tomava café, observava-os. Assim era a sua rotina. E deixava, deixava a vida voar, passar. Esperando seu dia chegar. Só esperava, sonhava, delirava. Só observava, só (só, de sem companhia). Ao ver o amor passar, junto com os amantes no bar, ainda sorria. Ainda o via, o amor. 

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